sexta-feira, 17 de abril de 2009

TSUNAME ESTRAÇALHA O MODELO DE LIDERANÇA




E agora?
Como será o modelo de liderança a ser seguido e difundido como vencedor quando a gravíssima crise atual for embora e deixar, de novo, um “mar de gala”, com ondas absolutamente administráveis por bons surfistas!
A crise não se apresentou por si só, mas foi gerida por pessoas com enorme poder de influência global e inquestionável competência técnica na condução de seus negócios.
Onde iremos buscar um modelo sustentável e que apresente esperança de futuro, a ser seguido pelas próximas gerações, sem questionamentos ou rejeição?
Como continuar perseguindo e seguindo as práticas de gestão com origem no modelo americano vencedor de fazer negócios e com resultados irrefutáveis?
Como continuar convencendo executivos de países emergentes, como a denominada comunidade BRIC, a participar entusiasticamente de programas de MBA e outros, em grandes pólos de pesquisa e com sólidos conceitos de gestão, e em centros renomados de excelência em gestão, como a Universidade GM???
Será que a grande hora chegou e o modelo de liderança será substituído por outro paradigma que não seja somente sustentado no lucro, nos resultados imediatos e no aumento permanente dos PIBs dos países, dos planos estratégicos das Organizações e na constante e incessante busca do ser humano pela superação de suas expectativas e necessidades que parecem não ter limites e tampouco fim?
A discussão hoje sobre sustentabilidade e futuro, passa necessariamente pela dolorida revisão de nossa visão de mundo e claro – por nossos valores pessoais.
E quais serão os valores que irão sustentar o modelo de liderança do futuro?
Serão novos ou os bons e velhos valores que foram varridos para baixo dos nossos tapetes em nossas ricas salas-de-jantar?
Qual será o sentido do uso incessante de instrumentos que identificam perfis de líderes e em investimentos maciços na capacitação e desenvolvimento de gestores para melhorar sempre o desempenho e resultados de sua área, de sua equipe , de sua empresa?
Oras! Os resultados das grandes corporações – antes inquestionáveis – hoje olhadas com desconfiança, descrédito e com a necessária (?) interferência dos Estados, não são os melhores exemplos e nem servem de benchmark para mais ninguém que queira copiar padrões de excelência para sua empresa ou para seus líderes.
Bem, e agora?
Qual a próxima pergunta a ser formulada no mundo dos negócios e em especial no modelo vencedor de Liderança a ser seguido?
Será que o excesso de arrogância dará lugar à humildade?
A transparência e ética retoricamente manualizadas em códigos, pela simples e modesta conduta de honestidade?
O egoísmo exacerbado acobertado pela casca de um automóvel, congestionando e poluindo os grandes centros, e mais – servindo de proteção e arma - abrirá espaço para o respeito ao coletivo?
O pragmatismo exacerbado será substituído pelo encantamento do subjetivo?
A ânsia por resultados imediatos, pela compreensão que na natureza tudo tem um tempo – até para maturar um fruto – nos dará sabedoria para lidar com o tempo de modo diferente, diminuindo a doença da ansiedade, características da nova geração movida pelo mundo ir(real) do mundo virtual.
Os impactos dessa crise financeira /econômica terão efeitos e seqüelas em nossos corpos e mentes e oxalá em nossa visão de mundo.
E talvez em futuro próximo, em momentos semelhantes, as Organizações , através de seus lideres, ao invés de salvar as Organizações, despedindo milhares de colaboradores , façam de forma diferente: despeçam as Organizações para salvar as pessoas!

Whj
Abr/09

Um comentário:

  1. Muito bem dito, com um final as ser lido e repetido: "despeçam as Organizações para salvar as pessoas!" É isso aí! :)

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